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Em relação ao tema dos paradigmas em Sociologia, surgiram discussões múltiplas e contrapostas que mostraram a tensão que nos permite propor um marco unificado com a pluralidade de enfoques que caracterizam as ciências sociais. O artigo trata das contribuições de Thomas Kuhn e Pierre Bourdieu, pensadores que, a partir de diferentes enfoques, forneceram ferramentas para entender como se funda e, ao mesmo tempo, se transforma o conhecimento sociológico. O termo "paradigma" (Kuhn, 1962), como construto na literatura da filosofia da ciência, tem sido um dos termos centrais na reflexão epistemológica. Para Kuhn, os paradigmas são referências ou conquistas científicas exemplares que são aceitas por uma comunidade, permitindo a resolução de "quebra-cabeças" na ciência normal sem questionar princípios. Por outro lado, embora Pierre Bourdieu não explore o conceito de paradigma, para Sandoval Aragón (2021), a sociologia de Bourdieu é, para ele, a expressão mais acabada de um paradigma sociológico, dado que articula uma matriz disciplinar que combina elementos epistemológicos e éticos, assim como o imperativo da reflexividade. Na Sociologia, os paradigmas permitem construir marcos teóricos que limitam e orientam a forma de compreender a realidade social, em torno da qual se agrupam teorias em enfoques coerentes como o funcionalismo, a teoria do conflito e o interacionismo simbólico. No entanto, a convivência de paradigmas sem que exista um consenso kuhniano pleno a esse respeito, evidencia a complexidade ideológica e relacional do social, assim como sustenta Follari (2001) Por sua vez, Bourdieu apresenta a reflexividade como uma forma de transcender as fronteiras dos paradigmas, construindo objetos relacionais a partir das noções de habitus e campo.