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O objetivo desta pesquisa é analisar comparativamente os conceitos de revolução, rebelião e o termo propriamente guna *bila* (luta, contenda), com o propósito de compreender, a partir de uma perspectiva semântica e contextual, as denominações utilizadas para se referir aos acontecimentos de fevereiro de 1925 na região de Gunayala, conhecidos no cânone historiográfico como a “Revolução Kuna”. O conceito de *bila* constitui uma expressão do pensamento ideológico próprio do povo Gunadule, enraizado em sua memória histórica e coletiva muito antes da chegada dos europeus e claramente diferenciado do conceito colonial de revolução. Apesar de sua relevância cultural e epistêmica, *bila* tem recebido escassa atenção nos espaços acadêmicos, permanecendo principalmente como um conhecimento vivo dentro das comunidades, onde funciona como um lembrete dos abusos cometidos pela polícia colonial panamenha nas povoações guna. A pesquisa adota uma metodologia qualitativa que combina entrevistas com sábios e sábias guna com a análise de fontes documentais e bibliografia secundária. Os achados permitem concluir que *bila* possui uma profunda conotação simbólica de luta na memória coletiva, na espiritualidade e na práxis comunitária guna, tornando-se um eixo fundamental para a comemoração e a compreensão integral dos acontecimentos de 1925 e sua luta na atualidade, a partir de uma abordagem decolonial.