Este estudo aborda o desenvolvimento histórico e musicológico do violino e de seu predecessor rústico, o rebec, no Istmo do Panamá, como um testemunho excepcional de transculturação e sincretismo cultural. A análise descreve a evolução e a divergência desses instrumentos desde sua introdução durante o período colonial até o final do século XVIII. Esta pesquisa emprega uma abordagem qualitativa com um desenho histórico-documental e musicológico. A estratégia metodológica concentra-se em uma análise diacrônica que abrange do século XVI ao final do século XVIII para avaliar os processos de transculturação, sincretismo e identidade musical no Istmo do Panamá. De uma perspectiva historiográfica, o arcabouço metodológico baseia-se na premissa de que o estudo intrínseco de objetos e cultura material (neste caso, instrumentos musicais) constitui um veículo essencial para compreender, materializar e tornar tangível a evolução social e cultural de um povo. Sob esse critério, os instrumentos musicais são examinados simultaneamente como símbolos, imagens, indicadores e referentes da transformação cultural panamenha. Por fim, argumenta-se que a transição, adaptação e coexistência do rabel e do violino refletem a identidade nacional, demonstrando mais uma vez que o Panamá é um caldeirão cultural onde as raízes das heranças europeia, africana e indígena convergem e se unificam de forma espetacular.