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Este estudo analisou a reconfiguração do pacto político-econômico panamenho durante a Grande Depressão (1929-1936). A pesquisa utilizou um design qualitativo histórico-documental com análise quantitativa secundária, triangulando fontes primárias (cobertura jornalística AP/UPI de 1931, documentos do Departamento de Estado, memórias de Hoover) e secundárias acadêmicas (Kalmanovitz, Vanes Álamo, Guardia). Os resultados revelaram que a crise expôs vulnerabilidades estruturais preexistentes: orçamento operacional de $14,3 milhões com dívida de $16-18 milhões, sistema fiscal regressivo baseado em importações (43,3%) e isenção de salários de canal, e dependência crítica de anuidades de $250.000. A contração fiscal de 30% (1929-1933) desencadeou uma crise de legitimidade que culminou no golpe de Estado de janeiro de 1931. O governo de Harmodio Arias (1932-1936) respondeu com reformas fiscais inovadoras, implementação do imposto de renda (1934), política tarifária protecionista e renegociação do Tratado de 1936, que aumentou a anuidade para $430.000 e eliminou a cláusula intervencionista, estabelecendo um regime de "sociedade assimétrica". Conclui-se que a crise atuou como catalisador de transformação estrutural através de "negociação estruturada", aumentando a autonomia estatal relativa sem ruptura revolucionária e lançando bases para o desenvolvimentismo posterior.