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O ensaio analisou como a intervenção dos Estados Unidos no Istmo do Panamá durante o século XIX enfraqueceu a soberania da Nova Granada — posteriormente República da Colômbia — e facilitou a secessão panamenha de 1903. Seu objetivo foi examinar de que maneira as ações políticas, diplomáticas e militares estadunidenses minaram a autoridade granadina e contribuíram para o processo separatista. Para tal, aplicou-se uma metodologia histórico-analítica baseada na revisão crítica de fontes primárias e secundárias, como tratados internacionais, registros diplomáticos e documentação sobre eventos militares e políticos da época. Os resultados evidenciaram que a intervenção estadunidense foi sistemática e sustentada, impulsionada por interesses geoestratégicos e comerciais no contexto da disputa pela supremacia naval entre Estados Unidos e Grã-Bretanha. Episódios como o "Incidente Russell" (1836), o Massacre da Melancia (1856) e mais de quarenta operações militares entre 1850 e 1902 demonstraram a fragilidade da soberania da Nova Granada e a dependência do Istmo diante da presença militar estadunidense, o que incentivou os movimentos separatistas que culminaram na secessão de 3 de novembro de 1903 com o respaldo de Washington. Em conclusão, a intervenção norte-americana reconfigurou a dinâmica política e militar do Istmo, estabelecendo as bases da hegemonia econômica e geopolítica dos Estados Unidos no Panamá, e permitiu uma compreensão mais integral da formação do Estado panamenho e dos efeitos duradouros das estratégias geopolíticas sobre a soberania nacional e a estabilidade regional.