O presente artigo analisa a proposta artística e metodológica do criador panamenho José Benito Santana Rodríguez, cuja obra representa um modelo fundamental na arte contemporânea panamenha. Para realizar este estudo, foram conduzidas uma análise iconográfica e uma revisão biográfica documental de seus trabalhos, examinando em detalhes a evolução temática e a execução técnica. É evidente que o artista alcança uma síntese estética entre o surrealismo, as tradições folclóricas e a mitologia indígena Ngäbe e Guna. Identifica-se uma transição para um "surrealismo étnico-onírico", onde o artista incorpora arquétipos da identidade local, como a empollerada (mulher em traje tradicional), os Diablos Sucios (Diabos Sujos) e a Pelea de Toros (tourada). Tecnicamente, destaca-se seu rigoroso domínio do pontilhismo, empregando bases escuras e pontos concêntricos vibrantes que conferem às suas telas um notável dinamismo visual. Conclui-se que Santana articula uma linguagem própria que não só revaloriza a identidade cultural panamenha, como também gera um profundo impacto sociocultural, reafirmado pelo seu ensino e trabalho acadêmico e pelas suas valiosas contribuições para o resgate do patrimônio imaterial e urbano.