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Este artigo apresenta uma reflexão teórico-metodológica, fundamentada na prática docente e na intervenção comunitária, por meio da sistematização de experiências e da reflexão pedagógica. O objetivo é analisar as possibilidades didáticas da land art, da Arte Povera e da deriva situacionista como referenciais conceituais e operacionais para o desenvolvimento de exercícios de exploração e reconhecimento sensível do ambiente em oficinas de arte não formal para crianças e adolescentes no bairro de Camino Verde (Tijuana, México). Nessas oficinas, integram-se ferramentas lúdicas, cartográficas e de registro de campo (como deriva urbana, coleta de materiais, colagens com materiais descartados, mapeamento e entrevistas com a comunidade). Os resultados confirmam que essas práticas extrapolam a sala de aula convencional, incentivando a atividade coletiva, a abstração e a reinterpretação espacial. Os participantes puderam canalizar sua energia criativa utilizando recursos prontamente disponíveis no ambiente (pedras, resíduos metálicos), promovendo a ativação do espaço público e a reflexão crítica sobre questões locais, como a onipresença do lixo. A principal contribuição deste estudo reside na oferta de um quadro conceitual que traduz os movimentos da arte contemporânea em estratégias pedagógicas aplicáveis ??a contextos vulneráveis, e na revalorização da oficina de arte na transformação da paisagem. Conclui-se que as práticas artísticas contemporâneas possuem alto valor pedagógico, desde que não imitem obras específicas, mas sim recuperem o potencial criativo e reflexivo de seus fundamentos para fomentar a interação direta, sensível e colaborativa entre os indivíduos e sua comunidade.