A gestão de dados marinhos em países em desenvolvimento enfrenta desafios estruturais como fragmentação institucional, ausência de marcos normativos e limitações de capacidades, dificultando a adoção dos princípios FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, Reusable). Este estudo, com abordagem qualitativa complementada por um componente quantitativo descritivo, teve como objetivo propor um modelo de rede nacional de dados marinhos baseado nos princípios FAIR para o Panamá, articulado no âmbito do programa IODE da COI-UNESCO e do OBIS. Realizaram-se 14 entrevistas semiestruturadas e aplicou-se um questionário a 25 participantes de instituições-chave (Universidade do Panamá, ARAP, STRI, UTP, UMIP e outras). Os resultados quantitativos revelaram que 88,0% geram dados marinhos, mas 68,2% os armazenam em bases internas sem interoperabilidade. O conhecimento das plataformas IODE é limitado: OceanExpert é conhecida por 52,0% dos participantes, AquaDocs por 48,0% e OBIS por 40,0%. Além disso, 100% dos participantes manifestaram disposição para capacitar-se, identificando a falta de financiamento (64,0%) e a falta de pessoal especializado (20,0%) como as principais barreiras. A análise qualitativa identificou cinco lacunas estruturais: fragmentação do armazenamento, ausência de política nacional de dados, heterogeneidade de capacidades, baixa adoção de padrões e governança incipiente.
Como principal contribuição, propõe-se o modelo REPANDAMAR (Rede Panamenha de Dados Marinhos), uma arquitetura distribuída com coordenação centralizada que integra componentes normativos, organizacionais, técnicos, de capacitação e serviços. As limitações incluem o tamanho amostral reduzido (n=25) e a abordagem qualitativa, que limitam a generalização estatística; não obstante, a triangulação de fontes permite identificar padrões transferíveis a contextos semelhantes.